Um novo estudo da DNV projeta uma expansão expressiva na captura de carbono. Dos atuais 41 milhões de toneladas capturadas por ano, o volume poderá atingir 1,3 bilhão de toneladas até 2050, o que representa um crescimento de cerca de 30 vezes. Esse avanço não é apenas significativo em escala, mas também indica um momento decisivo para a adoção global dessa tecnologia.
Até 2030, a expectativa é que a capacidade global de armazenamento de carbono quadruplique, impulsionada especialmente pelos setores de processamento de gás natural na América do Norte e na Europa. Após essa fase, a indústria manufatureira, além dos setores de cimento, siderurgia e produtos químicos, deve se tornar protagonista, representando 41% do CO₂ capturado em 2050.
Segundo a DNV, alcançar esse cenário exigirá investimentos estimados em 700 bilhões de dólares até 2050. A boa notícia é que o custo da tecnologia tende a cair, podendo ser reduzido em até 40% ao longo das próximas décadas, à medida que os projetos ganham escala e maturidade.
Apesar desse crescimento, o estudo destaca que a captura de carbono ainda cobrirá apenas 6% das emissões globais previstas para 2050. Isso demonstra que a tecnologia é uma parte da solução, mas não substitui a necessidade de expandir fontes renováveis e reduzir emissões na origem. O relatório também aponta que apenas políticas públicas robustas, como subsídios, incentivos fiscais e regulamentações específicas, serão capazes de acelerar a implantação da captura em larga escala.
Outro destaque do estudo é o avanço das tecnologias de remoção de carbono, como o Direct Air Capture e o BECCS (bioenergia com captura e armazenamento). Essas soluções, conhecidas como Carbon Dioxide Removal (CDR), devem representar até 25% do total de carbono capturado até 2050.
Entre os setores estratégicos, a indústria manufatureira se destaca como peça-chave. Em segmentos onde a eletrificação ou a substituição de combustíveis não são viáveis, a captura de carbono surge como a principal alternativa para mitigar os impactos climáticos.
Por que isso importa?
A captura de carbono oferece uma resposta direta a emissões que são difíceis de evitar com outras soluções. Seu avanço representa uma oportunidade real para descarbonizar indústrias pesadas, reduzir impactos ambientais e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Mas o sucesso dessa estratégia depende de uma combinação de inovação tecnológica, viabilidade econômica e políticas públicas claras.